Salomé, uma mulher
Fui com a Pri e com a Carol no teatro, depois de algumas cervejas no Bom Fim, com a presença final do G Klamt. Resumo: É difícil, muito difícil, não se ter o que se quer, depois de viver a vida inteira conseguindo, afirmando, superando. Quando mesmo no sofrimento, te dizem: faço o que tu quiser! Pois então é isso!
Quero a cabeça de João Batista! Desgraçado!
Numa bandeja, de prata, não esquecer esse detalhe!
Puxa, negou um mísero beijinho à Salomé, tão casta e desejada, a princesa que renegou a todos. Ela que não queria romanos, nem gregos, nem judeus e muito menos egípcios. Se ele tivesse ao menos a olhado... Mas não, o santinho tinha que se segurar, paralítico total. Podiam ter mudado todo o reino e quem sabe, salvado JC, o messias! Não entendia o covarde que havia despertado um fogo um tanto puro na mocinha, ela, que fugia do padrasto, que viu o pai morrer na mesma cela, que conviveu com a mãe adúltera e seu marido horrível, e que só queria um beijo, um beijo do profeta. Perfídia, só porque amou João, que não a desejou? Linda e inocente, que quando lhe trouxeram a cabeça do mártir, beija-o na boca, ainda apaixonada e louca. Porque, homem de deus, era só um beijo, entende? Ah, o desprezo, tratá-la assim, como uma mulher da vida, de "departamento", não entender nada, nada...
Segundo uma amiga, faz sentido. Ainda hoje.
"Paralisias são uma tendência. É preciso repudiar para poder comentar. Funciona mais ou menos assim: Não dizer. Não mostrar. É feio! É feio! Pessoas que estão com calor, mas não podem tirar o casaco".
Ok, encerrando por hoje. Vou terminar a cortina que comecei à tarde. Sim, porque além de (estar agora) bêbada, sou prendada.
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